quinta-feira, 17 de junho de 2010

virgo

Nublava muito; a tarde e deusinha, ela dos olhos negros e redondos, mastigava o líquido e bebia o sólido numa macrobiose verdadeira e xiita; se entendiam os sumos e por dentro as contrações da espera remexiam em danças aquáticas. Observava os sapos lunares e dava leseira o coaxar e o desespero elétrico da cigarra. Quase tudo dava uma brisa naquela altura do campeonato. Era o sono e a vontade de urinar, naquele tempo úmido cor de peixe-boi. Humores, sumos, alimentos, deusinha do olhar languido; preenchidas as entranhas. Compreendera de algum modo que tudo havia mudado depois de que de repente lhe surgira no corpo algum jeito termal mais acentuado que lhe dava ganas de se coçar nas cascas grossas dos pés-de-pau, de ver nos espelhos fluidos sua própria tremulação cintilante, de se deixar montar.

Deuzinha perto da foz, à água empoçada das ramas de capim, o chuvisco na pegada dela, no sulco da terra adubada; ruminava, canção azul de labor, e pensando em nada trabalhava a estranheza das coisas vivas que cresciam agora por dentro, o temporal silencioso dos olhos redondos chovia no molhado.

...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

àgente



ALEGRIA DE VIVER

Os dias passam, e os anos
Passam também como os dias
Pela vida os desengano
Vão matando as alegrias 

Mas se a existência decorre
Tendo sempre o bem por guia
Cada alegria que morre
Faz nascer outra alegria

Carlos Estevão de Oliveira

*esse texto belinho foi escrito pelo meu avô adotivo que não conheci. tenho amado ler esse avô, tem ele me sido esperança; os presentes que nos/me deixou são feito caixas de pandora, um cinema de fogueira de poeira, eles são cheios de "espírito da coisa dada", grandes afetos d'ouro; são besouros.

sexta-feira, 5 de março de 2010

no aniversário

o palhaço diabolin, que bamba na corda e solta fogo pelas ventas, se pinta de pasta de dente e baton-acorde-rosa-choque, tem filhinhas magrinha negrinhas pequenas e danadas, já artistas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

do dia que nasceu Rocco, filho de leandro e nina

no dia que Rocco nasceu fez sol, mas no céu havia umas nuvens meio densas até, talvez pra indicar a água que trazia a criança de peixes, peixes com ascendente em peixes, será mesmo? e inda muito aquário e carangueijo. eu nesse dia tinha madrugado como de comum dia, no entanto reluzia, e tudo era mais bonito no caminho pro trabalho no museu do estado desse estado. percebi quão floridas eram as árvores de minha rua. e naquele colorido trêmulo, senti as brisinhas que se deliciavam nos amarelos e vermelhos, nos roxos e lilases, nos verdes em suas gradações. pude perceber quão simpática e forte era a grande planta das bajes, uma percussão simples, um chocalhar tranquilo, uma leveza dessa força pelas 7 e pouca do dia amanhecido. falei com o porteiro e pedi "uma casa pra água 55"... hehe... eu havia trocado as palavras :) "uma água"... ele entendeu sorrindo e num sim com a cabeça. eu segui. e vinha maria (locatária da casa que eu moro) caminhando pela avenida; por graça já zarpava o onibus q bem chegava, mas numa corridinha alcancei o bendito transporte. percebi a loja de bicicletas na avenida, o homossexual, a minha postura, etc. do lado esquerdo passou sentido o caminhão das galinhas de granja, pude sentir... já caxangá; o menino com a mãe, na cadeira alta do coletivo ao lado, bebia de um leite fermentado que ensaiou jogar o recipiente no asfalto do lugar que se movia, ele vestia uma camisa cor de cenouragerimum q já devia ter sido de um irmão ou primo de desbotada a cor que estava.

as rês astral

Portugal era no recife velho, cantava-se, desde a boa vista, uma toada de aboiar. Ponteios, galos enormes de córócócores. Seu Azaias e uma cigana retirante. a noite dentro da caminhada brilhava, os metais da ilha do porto, as zuadas de carne com purpurina. Era o milagre dos bois, o milagre do entendimento dos rebanhos, e da função do lamento, da glosa em binco de pena branca, do desafio vivendo e velho. Quadros arabés entre rios de índios, era a mouridão das gentes mistas vendendo e doando. Milharal de cana de melado. Comum nosso ar de tanto, gente de brilheza granulada evapor, gente leitosa e cafézal. Pimenteando. Era do signo que já se havia cantado assim noutra localidade, e nem se perdeu tempo em procurar entender que areia foi aquela - muita naturalidade nessa sapiência do familiar. Tempo de areia. A velha caximbêra com cara de onça pintada lá do templo do calor disse que fazia poeira. Então disse que havia chão voante, era o milagreiro da simpleza, tendo o milagre das raíz e da carne solar. Rês mago.



dizendo do fim de sábado de zé pereira, depois da volta da condado infinita, já na várzea de 2010.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sobre uma maga da floresta cantada


as plantinhas cantam e tocam, sutis, guardam um mundo e são um, da unidade. mudam as folhagens, e o vento dança as folhas crocantes, elas se desprendem, compreendem; na seiva que se espalha viçosa, desde o começo, são já, tudo junto, a essência dos alimentos todos. as plantas são o sol, as águas, os sais minerais, os escrementos dos bichos, os adubos todos. são o alimento próprio. elemento amplo e respiro.

fico feliz q sejas essa pessoa planta que és... feliz em poder cantá-la.



16.12.2009
várzea

jorge tamém


bárbara maravilha

Carnaval libertante,
saída figura de boi,
máscara de leão-macaco-gente,
máscara ita-liana de couro de ganho,
do teatroó, circoó,
da 'comédia, del arte',
da constelação que sol e raya.

Voei de exu volante,
bomba-gira cor tiê,
e erê em cintilação.

Saí de gentes azul,
de bigode pronto e sobrancela colada.

Aíndia presente e a valha raposa rosa.
Nas terras estreladas da ciudade condado,
nos arecifes velhos e antiílhas,
nas várzeas pintassilgas...
e as cinzas nos boi ressucitandos em olinda alta.

Bom ver os rostos do cotidiano de meu novo sertãozinho,
(padaria mercado parada de ônibus...)
no sorriso da festaria.

Muitos os abraços de bem e portes,
sendindo a vizinhança de apito.


Semente saltante e córdova.

Ova ave avé nos parararóis das pombas,
enquanto... antes e ágora.
de tudo logo e comtemporâneo,
uma linda limpeza de umbanda
me deixou norma conexão maior,
de mais carteira,
de escudo e cartola.

18.fev.2010


domingo, 24 de janeiro de 2010

coisas de bicho


essa falta de coragem
minha vó chama, "preguiça"
me agrada o gosto dela.
bicho, xenarthra...

nu tempo, dança própria...
leseira do caminho,
sorte e sentido alando.
não há linha separando.

é um grande todo,
a chuva e o petróleo.

leve, farta...

tem as garras agradecidas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009



(Josué de Castro -1938 -Nestlê)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

malagueño

Oscarito(Ator brasileiro)16-8-1906, Málaga, Espanha 4-8-1970, Rio de Janeiro (RJ) Filho de uma família de circenses, com uma tradição de mais de 400 anos de picadeiro, Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Dias, cujo diminutivo ficou sendo Oscarito, nascido na Espanha, veio para o Brasil com 1 ano, onde se naturalizou e tornou-se um dos maiores gênios da comédia brasileira. Ao lado da família, estreou no circo aos 5 anos, como índio numa adaptação da peça O Guarani, de José de Alencar. Foi palhaço, acrobata, trapezista e ator de teatro de revista. Destacou-se nos palcos satirizando Getúlio Vargas em Calma, Gegê (1932). Sua primeira aparição nas telas foi em A Voz do Carnaval (1933). No início dos anos 40, estreou na Atlântida. Fez uma parceria com Grande Otelo, que se estendeu por longos anos e resultou em 34 chanchadas. No final dos anos 40, passou a parodiar as superproduções feitas em Hollywood. No antológico Este Mundo é um Pandeiro (1947), travestiu-se de Rita Hayworth numa sátira ao filme Gilda; em Nem Sansão Nem Dalila (1954), imitou Sansão e Dalila, de Cecil B. de Mille; em Matar ou Correr (1954), foi a vez do bangue-bangue Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann. Com 45 filmes, virou um fenômeno de bilheteria e o comediante mais popular da época. O filme Colégio dos Brotos (1956) foi visto por 250 mil espectadores na primeira semana de exibição. Outros filmes célebres: Carnaval no Fogo (1949), Aí Vem o Barão (1951) e Aviso aos Navegantes (1951).

Natural com Bacon.

Os rebanhos não andam mais, os rebanhos são caixas frias e cinzentas. As pobres porcas gordas e anômicas. Não faz mais sentido parir assim. Não há prazer nesse tipo de reprodução seriada, não brincante, nem sol. Todas as galinhas são palidas, iguais, não cacarejam as luas cheias. As vacas sabem onde seus cascos apertam, santas vacas com seus bezerros em desmame. Um quero-quero voante e morcegal, me contou tudo quanto viu. Era tanta dor que pedi pr'ele parar logo. Pobres ovelhas que não podem perder-se em berros astrais. Focinhos que não conhecem as pedras, os caminhos das formigas, as poeiras soltosas. Línguas que desconhecem a umidade boa que têm os alimentos que se desmancham nas quedas. Caramboleiras aquosas, jambeiros perfumados, e as cascas das mangas espada, a textura das algarobas. enquanto os pássaros das árvores cantam as larvas da madeira, o tempo colorido, a ventura, o contato amplo. Que cantos sem saúde entoam essas crianças azuis de ponta e pena? Sem prisma.


(uma Atlântida em Plutão... uma nova em Platão).

terça-feira, 3 de novembro de 2009

jacarés e almanaques.

Povo amado,
compartilho cá um editorialzim de fim, pra começo de história.
com_um beiju.


Querida Lunduz de outubro,

Estabeleço essa comunicação para que se saiba um pouco a escala tonal que esse mês foi conseguindo, desde as ciganas velhas que apareceram e as velhas ciganas que teimam em se eremitar, às dicas 'acadêmicas' do professor Michelotto, que têm sido de suma importância para que as veias abasteçam as canetas imateriais da prosa poética, (nos 5 minutos de escrita de cada dia, que venho tentando feliz). AgradeCida, ainda, ao contato herança afeto que me permitiu mais proximidade com o entendimento holístico dos almanaques, ampliando minha maneira almanáquica de entender o mundo, e a abertura de me entender mais dentro dele, sendo uma mãe menos carente e mais amorosa, pois que há A poesia em todos os lugares, e toda ela é o espelho sincrônico, (é uma guinéz). Já, quanto aos contornos e às posturas celibáticas, pinto as manhãs celestes no emaranhado do trãnsito e em terras estreladas do Centro-Oeste brasileiro. Por fim.. durmo pensando ainda, que até mesmo quando penso nos jacarés filhos de aves - aqueles que comem as mães na adolescência, os jacaré edipianos, imperfeitos, sorumbáticos - penso em como é sempre bom o encontro, e que nunca é 'des' .


10.10.2009
Guiné da Selva.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

enquato lia essa tela reluzente de cá, no escuro do quarto, surgiu uma mosca enorme riscando...(ela tá passeando pela tela em zuadaelétrica agora). percebi que ela não tem uma das pernas, (a primeira do lado esquerdo) lembrou o soldadinho de chumbo...ela deve ter fugido de uma teia larga de alguma aranha faminta, ou, numa inocencia moscal, triscou numa vela acesa, sonhando o chocolate dum bolo comemorante de fim de outubro. (quanto tempo vive uma mosca?) pode até ser que em torno desse aleijo haja uma falha na formação e o problema seja de nascença...- será que ela levou um tapaço?! a verdade é que não conheço muito o cotidiano das moscas.queria que ela saísse daqui, tá me atrapalhando. agora ela se aquietou um pouco em cima da luz azuzinha do botão, mas foi por pouco tempo.(saí daqui peste! porque não te mato logo, hêim?!)parece que já amo e odeio essa louca... são 4 e 43 e inda não durmi... queria tanto ir na praia quando o sol viesse, raro vou naquele rio de sal... as outras três pessoas da casa já dormem desde às 2... antes tavam assistido um filme sobre as culpas socio individuais.
-nunca tinha visto uma mosca tão estranha...tou olhando ela muito de perto. consigo ver as linhas das asas... aiai. pensei em tirar ela com as mãos de concha e jogar pela janela. muito labor. quando eu desligar o computador acho que ela relaxa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009