visão geral
geral mente
quê abarca?
barco é vento
ventre baixo
alto lar
ê, vidão...
sábado, 27 de julho de 2013
quarta-feira, 17 de julho de 2013
ciranda
somos todos párias
somos todos um
se quiser falar com deus
basta falar com algum
de todos, de nós
se quiser calar com deus
basta deixar que mande a vida
vida-lida severina
basta a sina compreender
inteira rota, acolher
o cão-baleia que se aranha
arranha a porta tamanha
dos palhaços suntuosos
dos medos acabrunhosos
do amor mais ampliado
cão-coragem convidado
leão miragem legado
do povo, da gente, da terra...
dessa ciranda pequena
dessa ciranda maior
somos todos um
se quiser falar com deus
basta falar com algum
de todos, de nós
se quiser calar com deus
basta deixar que mande a vida
vida-lida severina
basta a sina compreender
inteira rota, acolher
o cão-baleia que se aranha
arranha a porta tamanha
dos palhaços suntuosos
dos medos acabrunhosos
do amor mais ampliado
cão-coragem convidado
leão miragem legado
do povo, da gente, da terra...
dessa ciranda pequena
dessa ciranda maior
terça-feira, 30 de abril de 2013
^^ Y
tempo da avestruz
chegou novamente o tempo da avestruz
enfiar a cara num buraco escuro
e ser fêmea cinza
nuvem pluma cinza
na diluição do preto macho
montaria humana
profundo do insuspeito
nublada de pégaso
boca buraco e peito
chegou o tempo da ave tonta
carne pesada pronta
que na terra se distrai
pardal-camêlo, do grego
misturada ave equestre
chegou a hora e o tempo
do voo cego e silvestre
chegou o tempo da avestruz
travesti cinza madura
pegar a esquina dura
e ciganar no sinal
voar como fosse nuvem
chegou o tempo cinza da avestruz
e na cinza ela revela o tempo
sábado, 23 de fevereiro de 2013
MEIA
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Sobre o semi-árido:
Caatinga
O teu suvaco é o melhor cheiro
Umburana, cajueiro...
Me inteiro dele, observo, conservo
Me serve.
Inteiro.
O teu suvaco me acalma.
Ar de árvore. Me arvora. Alvoroço.
Me desalma.
Me indecora.
Indecoroso.
No meio do tempo
a alma range.
Almanaque que me foge...
Teu suvaco longe.
Metade tarde no deserto
Acordo de sonho desperto.
Outro fato. Olfato.
Teu cheiro de gato do mato
Revirando meu lixo...
Bixo indiscreto.
Irresponsável, disperso.
Quando passa deixa sempre a porta destrancada.
Há de ser pego pelo rabo
em emboscada.
-Me destranca!
Concorda e me espanca!
Aberta a tranca
desperta o nó.
Meu gogó enforca.
-Polícia!
Sente a delícia do mal que alicia.
Carrasco...
Na tua lei eu me lasco
Caio numa fria.
“alegria alegria...
Você trás a coca-cola
Eu tomo... ”
Bebida do cão.
Puro osso moço mag(r)o
vem que te faço estrago
estrangulo engulo bulo pulo
a cerca, perto, fina caatinga.
Tenho sêca, sêde – sede amoringa...
quero bebê-lo, palmeirim imperial
cristal onde o bebedoíno amarra o camêlo
com zêlo, sem atropêlo,
quero comê-lo.
Vara, pau, menino, alto, galante,
filho, infante, varão, verão, volteir...
Varou de flecha meu peito
de mulher. Varou de jeito.
Taquari tacaratu tesão-açú...
Dizem que por essas e outras
foi eleito: “A Louca do Pajeú”!
E é por tanta lindeza de ser tão,
temporário desvario,
que depois de tanta fala, silencio.
Pois há como ser boa e amiga
a convivência com o semi-árido.
O teu suvaco é o melhor cheiro
Umburana, cajueiro...
Me inteiro dele, observo, conservo
Me serve.
Inteiro.
O teu suvaco me acalma.
Ar de árvore. Me arvora. Alvoroço.
Me desalma.
Me indecora.
Indecoroso.
No meio do tempo
a alma range.
Almanaque que me foge...
Teu suvaco longe.
Metade tarde no deserto
Acordo de sonho desperto.
Outro fato. Olfato.
Teu cheiro de gato do mato
Revirando meu lixo...
Bixo indiscreto.
Irresponsável, disperso.
Quando passa deixa sempre a porta destrancada.
Há de ser pego pelo rabo
em emboscada.
-Me destranca!
Concorda e me espanca!
Aberta a tranca
desperta o nó.
Meu gogó enforca.
-Polícia!
Sente a delícia do mal que alicia.
Carrasco...
Na tua lei eu me lasco
Caio numa fria.
“alegria alegria...
Você trás a coca-cola
Eu tomo... ”
Bebida do cão.
Puro osso moço mag(r)o
vem que te faço estrago
estrangulo engulo bulo pulo
a cerca, perto, fina caatinga.
Tenho sêca, sêde – sede amoringa...
quero bebê-lo, palmeirim imperial
cristal onde o bebedoíno amarra o camêlo
com zêlo, sem atropêlo,
quero comê-lo.
Vara, pau, menino, alto, galante,
filho, infante, varão, verão, volteir...
Varou de flecha meu peito
de mulher. Varou de jeito.
Taquari tacaratu tesão-açú...
Dizem que por essas e outras
foi eleito: “A Louca do Pajeú”!
E é por tanta lindeza de ser tão,
temporário desvario,
que depois de tanta fala, silencio.
Pois há como ser boa e amiga
a convivência com o semi-árido.
Guiné, da Selva - Novembro de 2010/12.
karma kordel
Cordel do Karma
amoroso.
Cumadre,
minha cumadre
Inda
bem que tu chegou
eu
já tava agoniada
te
esperava com fervor
tenho
tanto a te contar
que
é melhor tu te sentar
pois
a história é de amor
Ave
Maria, cumadre
Então
tô no lugar certo
Pois
se existe uma coisa
De
que quero ficar perto
É
de causos de paixão,
De
romance, de tesão
De
amores descobertos
Já
tô vendo pelo tom
Tu
também estais deslumbrada
Achaste
alguém pela estrada!
Estás
usando até batom
Vermelho,
minha cumade
Tamanha
a euforia
Um
fogo que vem de dentro
Coisa
que não mais sentia
Vermelha
também estou
Vestida
toda em paixão
Suspiro
a todo instante
Me
guia a emoção...
Acontece
que, cumade,
Uma
confusão me invade
Algo
sem explicação!
Me
conte logo quem é
a
figura do momento
Provavelmente
outro karma
conduzido
pelo Vento
No
dia que o vi, era Primavera,
Estrelas
bailavam, saudando a estação
E
os ares mudavam a constelação
Trazendo-me
o novo, o que não se espera
Uma
luz incidia, cores de aquarela
E’eu
água, fluindo, o olhava surpresa
me
reconhecia, confusa clareza
lembranças
de um tempo, quase intemporal
alguém
que algum dia, me era vital
e
que ressurgiu, me trazendo incertezas
Como
Jung nos dizia
O
que a gente não resolve
Não
tem jeito, não dissolve,
Retorna
como destino
êêêita...
Esse
Jung era sabido...
era
sabido demais!
Eu
mermo num ‘tem’ mais paz
‘Té’
meu sonho é perseguido
Pareço
animal ferido
Sem
muito poder mexer
O
deixar acontecer
É
o que tenho de opção
Não
posso ir na contra-mão
Só
me resta re-viver
Pra
isso que os karmas vêm
uns
fantasmas ressonantes
uns
zumbidos, uns berrantes
ressuscitados
do além
e
não nos deixam tão zen
nos
agoniam é muito
com
garras de cão afoito
arranhando
as nossas portas
acordando
coisas mortas
em
seus grunhidos de coito.
Também
se buscam de fato,
e
a nós suas esposas;
Sendo
lobos e raposas,
Sendo
cachorros do mato,
A
luz do olho do gato.
O
movimento da lua.
Expresso
e me sinto nua
Ele
cala e eu escuto...
Porque
eu fico de luto
entendendo
a morte sua?!...
És
igual Orfeu de Eurídice
Não
crês que o possas ter!
E
a morte que te fere
e
que não querias ver
é
o que de fato se inscreve
nas
profundezas do ser.
E
mermo, comadre sábia
tinha
esquecido essa a lei
Se
penso no que não quero
só
o que não quero vem
Devo
pensar no que é belo
Pensar
no que me faz bem
Ontem
mesmo me deram para ler
um
livreto do sábio Saramago
Bem
se vê pelo nome que foi mago
inda
mais pelas coisas que se lê:
“Que
amar é a melhor forma de ter
e
que ter é a pior forma de amar”
Veja
só que exercício salutar,
o
de amar sem ter medo de perder,
e
perder esse medo de amar!
Parece
queu li o tal livro que dizes
Num
fala de mares, de ilhas até?!...
Exatamente,
cumadre
um
navegante que quer
um
barco, e que pede ao rei,
e
lhe escuta uma mulher
e
comungando do vento
oferece
a sua fé.
A
ilha desconhecida
ele
pretende encontrar
Uma
ilha diferente
Que
em nenhum mapa está
Canto
desacreditado
pelas
gentes do lugar
E
procura o não-lugar
o
ponto de mutação
de
que nos comenta a física
fazendo
essa alusão
a
um espaço que existe
mas
que é em relação!
A
ilha desconhecida
é
aquela que nos une.
Ninguém
a ela é imune
Por
todos ela é sentida.
E
a essência da vida...
Pensamento
dividido.
Se
o EU cá é finito,
o
OUTRO é que é o sentido!
Num
vejo sentido não
pois
não sei se ele vê
eu
penso que só fiz merda
em
inventar de me envolver
e
ele agora me despresa
Me
olha todo blasé...
Todo
bicho produz merda,
Fato!
fede e fertiliza.
Com
tudo a gente improvisa
Se
aprende com a perda.
De
toda morte se herda
Alguma
lida e saber...
Perca
o medo de perder
Seja
parca, fique em paz
Signifique
o rapaz
Na
metáfora do ser.
Nossos
olhares se olhando
Trazem
embriagamento
nossos
corpos se tocando
uma
febre, um lamento
freqüências
já moduladas
energias
reencontradas
uma
prece, um alento
Pois
é, querida cumadre...
A
flor das habitações
O
mago destas nações
As
razões da grande madre!
Já
nas orações do padre
a
busca é conflituosa.
Entre
a poesia e a glosa
a
prosa prata Luzia
Uma
igreja hipocrisia
Silêncio
que oprime a rosa.
inda
bem que tu entendes
É
exatamente isso
Um
cutucão no toutiço
Que
nos deixa mêi demente
Nos
remexe de repente
O
sangue e alma fervura
Se
instala uma loucura
Santa,
contudo profana
Que
nos confunde, que engana
E
nos lança na aventura
Aventura
de tempos ancestrais
Carregada
de símbolos, mistérios
De
poderes intrínsecos, etéreos
Recorrendo
buracos abissais
Vindo
à carne, a nós os animais
Conscientes
e tão inconscientes
De
nós mesmos, nós sempre tão ausentes
Tão
perdidos, buscando e buscando
E
no outro, no espelho, encontrando
Sonho,
imagens, fogueiras e correntes
E
correntes correntes, e correntes...
Corredeiras
me trazem, eu, menina
De
colares, pulseiras e anéis
Danço,
canto, e escrevo uns cordéis
Redescubro
minha graça feminina
A
essência sagrada, eu divina
O
meu sangue em cálice de amor
O
meu sexo pulsando com ardor
Derramando
meu cheiro no universo
Me
entrego, revelo meu reverso
Dou
adeus ao que em mim era torpor
Comadre querida, é tudo qu’eu quero
Poder ser tão plena nessa comunhão
Mas vem esse medo, essa culpa, esse não
Paixão somatizo, doença que gero
Depois me perdoo, medito, e espero
Que um dia o encontro amanheça melhor
Encontro comigo, é bom estar só
Segura, tranqüila, realimentada
Depois de sangrar, de alma lavada
Me sinto mais gente, desatei um nó.
Muitos nós, no entanto, ainda existem
E é somente em contato e relação
Que se pode tratar com exatidão
Os feridos e feras que insistem
Pois te digo que eles não desistem
Como Jung nos disse eles retornam
E os caminhos febris eles adornam
Como pedras nos selfs,
atordoam
Arabescos tais aves que revoam
E onde pousam, janelas que se tornam.
Penso até que em outra vida
Eu fui dele a Psique
Procurava sem saber
Que nele eu tava contida
E incerta, e atrevida
Redescobri-me no amor
Fui flexada, senti dor,
Mas prossegui na jornada
Por deuses abençoada
Torno ao Cosmos com louvor
Quem nos guia é o fio de Ariadne
O amor, nossa busca incessante
tando juntos, não existe minotauro
Que nos mate, aniquile, corte o instante
Mas se em ilha sozinha me deixar
Eu invoco a deusa Afrodite
E ela logo aceita meu palpite
E me envia um Deus pra me encantar
Meu mortal viverá em outras paragens
Seguirei com outro alguém nessa viagem
Meu destino é um dia eu me encontrar
Esses pestes vêm é aperriar
Aperreio preciso, eloqüente
E a gente, mulheres – as serpentes!
Cutucadas nos pomos a gritar
Nos abrimos pro ser e pro estar
Nos abismos gozamos confiança
Respeitando a si e a própria dança
Convivemos com o medo inerente
Que contido em nós, seres viventes
Nos transmuta, nos lança, nos balança.
Eita conversa infinita
Num instante passou a hora
Se sentires alguma coisa
Expressa, bota pra fora
Faz teus verso, poetiza
Cheira as flores sente a brisa
Comtempla o nascer da aurora!
Por Luciana Carmen Rabelo e Anaíra Mahin
Recife, 2010
Marcadores:
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mitologias,
Saramago
duas histórias em uma
O Milagreiro Quebra-Osso
eo romance de Mabel e Toríbio Fortes
Eu
vou contar a história
Dum
caso que aconteceu
Há
mais de 50 anos
E
que comigo mexeu
É
a história de um casal
Que
ficou amigo meu.
Não
sei se alguém já leu
Nenhum
livro foi escrito
Mas
quando eu fui escutando
Fui
achando tão bonito
Que
não podia deixar
No
dito pelo não dito.
Eu
aqui ainda cito
O
dia em que os conheci
Naquela
noite chuvosa
Perto
do Tucuruvi
No
bairro Vila Mazei
Naquelas
bandas dali.
Com
a minha vó, tava ali,
Com
Saura, e a prima Aninha
Também
tava o primo Henrique
E
a minha tia Kinha
Esperando
numa fila que
Outras
pessoas tinha.
E
outras pessoas vinham
Procurando
alguma cura
Pra
seus problemas de ossos
Pra
sua desestrutura
Pra
melhorar a cifose
E
aumentar na altura.
Era
um senhor sem frescura
O curador
do lugar
Com
uma roupa de esportista
E
um tênis all star
Disseram
que havia sido
Da
polícia militar.
Continuando
a contar
O
senhor que descrevia
Teve
um problema grave
Que
doutor não resolvia
E
o milagre da cura
Foi
com quiropraxia.
E
essa tal praxia
Pra
ele virou missão
Tendo
aprendido o ofício
Tinha
uma coisa na mão
E
essa coisa era a cura
Que
hoje oferta a todo irmão
E
virou religião
A
promessa do senhor
Que
aprendido o bendito
Ofício
que o curou
Ele
o ia divulgar
Como
graça ao salvador
E
com as mãos de amor
O
homem vem estralando
As
juntas de quem lhe chega
Pela
fila lhe esperando
E
chega o povo bem torto
E
ele saí concertando.
Parece
que vai quebrando
Lhe
apelidam “quebra osso”
Às
vezes tem um gritando
Dizendo:
“calma Seu moço”
Mas
quando lhes passa a dor
Querem
encher o seu bolso.
O
fato é que o “Quebra Osso”
Que
estrala tão ligeiro
Trabalha
pela promessa
Não
pela voz do dinheiro
Porque
se ele quisesse
Ele
virava bicheiro.
Mais
parece um milagreiro
De
tanta gente na porta
Tem
gente que vem tão mal
Que
a nossa alma corta
Mas
o tal do “Quebra Osso”
Vai
ali e desentorta.
Somente
o que o conforta
É
o corpo em harmonia
O
esqueleto certinho
Sem
nenhuma cirurgia
Pois
só o que ele critica
É
a tal alopatia.
Que
qualquer Dona Maria
Que
chegue a um hospital
Com
dores em suas juntas
O
doutor diz: “estás mal,
O
jeito é cirurgiar
Na
anestesia geral”.
Eu
digo que esse mal
O
milagreiro abomina
E
aconselha a seu povo
E
a ninguém discrimina
Pois
todos têm o direito
De
ficar com tudo em cima!
Mas
eu me perdi menina,
Da
outra história importante!
Ia
contar pra vocês
Outra
coisa nesse instante...
Espera
que vou lembrar...
Não
preciso ir tão distante.
Então,
seguindo adiante,
(Lembrei
o causo qual era)
Naquela
fila engraçada
Não
foi coincidência mera
Encontrar
aqueles dois
Ali,
numa mesma espera.
Uma
coisa a outra gera
É
a lei da atração
Encontrei
aqueles dois
Em
silenciosa oração
Cês
vão ver como deu certo
Como
entraram na canção.
Eu
pensando: ‘Eita mundão
De
coisa linda pra ver
Só
basta ser a janela
Para
o dia amanhecer
E
depois de amarela
Virar
azul no saber.
E
tudo a acontecer,
Sem
uma ativa procura
A
brincadeira existindo
Com
as asas na loucura
Uma
loucura de ave
Que
eleva a vida à altura.
Pois
eu estava segura
E
na busca do presente
Sabendo
que tinha algo
A
me dar aquela gente
Sabendo
que a mão da troca
Não
era tão diferente.
Foi
então que de repente
O
casal veio ao destino
Um
senhor que alegremente
Cantava
um tango argentino
Em
uma veste alinhada
E
com ares de menino
Estava
muito granfino
Feito
cantor de bordel
Um
terno preto listrado
Só
lhe faltava o chapéu
E
ao lado a sua esposa
De
nome: Dona Mabel
A mão
de dona Mabel
A
cavucar pela bolsa
Procurava
um retrato
Do
tempo em que era moça
Um
retrato bem antigo
Que
ela guardava zelosa.
Um
maiô bem elegante
a
trapezista vestia
preto
e branca no retrato
colorida
na magia
do
tempo em que trabalhava
num
tal de Circo Garcia
recordava
apontando
o
retrato situado
recordando
inclusive
como
havia começado
essa
vida estradeira
com
Toríbio, seu amado
nas
terras da Paraíba
Campina
Grande a cidade
Foi
onde começou tudo
Com
muita propriedade
Uma
cigana dizia
Que
ela dali saia
Por
causa de amizade
E
um dia, dito e feito
Chegou
por lá um rapaz
Leitoso,
cabelos pretos
olhos
cheios de sinais
pelos
mistérios destinos
das
suas sinas gerais.
Ele gostou da donzela
Fixamente a olhou
E a face enrubecida
Pelo olhar que a penetrou
Corajosa e discreta
Um outro passo esperou
Ele foi ao seu encontro
Não sabia o que dizer
Se sentindo apaixonado
Quis com a moça viver
Pediu logo em casento
Pelo medo de perder
Como ele era do circo
medrava a rejeição
Inventou umas mentiras
naquela situação
Pabulando um outro ofício
Que apresentasse mais chão
Mabel, cabocla faceira
Em Toríbio apostou
Não que ela acreditasse
Em tudo que ele falou
Mas era crente às palavras
Que a cigana professou
O pai dela era valente
velho brabo e ciumento
Queria filha nenhuma
Arranjando casamento
Com forasteiro enxerido
Don Juan, mal elemento
Consciente da resposta
De seu querido paizinho
Mabel, que era decidida
A seguir o seu caminho
Embarcou na aventura
Dessa troca de carinho
Fugiu com o viajante
Virou moça desonrada
E nesse caminho errante
Já tripulando a estrada
Uma verdade secreta
De pronto foi revelada
"A minha casa é o circo
Não sou rico nem doutor
Temia que se dissesse
Estremessesse o amor
Mas nesse momento digo
Inda queres vir comigo
Ou vais me deixar na dor?"
"Dá tempo de desistir"
Mabel refletiu - será?
Se eu voltar desonrada
O meu pai pode me matar
Eu já ousei na coragem
Não quero mais arriscar
E foi-se embora Mabel
Fazer da estrada a sina
Deixou a vida de moça
Os pais, a casa, a campina
Já ae sentia mulher
Carregando uma menina
Dali foram muitos circos
Que essa dupla enfrentou
Tiveram filhos os dois
Uma equipe se formou
Criaram seu próprio circo
Não era pobre nem rico
O universo ajudou
Com a família formada
Voltaram para Campina
Mabel fora perdoada
Pela saga peregrina
Seu pai e mãe viram festa
Cada neto uma seresta
Refiguravam a sina
Turíbio a mãe recordava
Uma Índia Guarani
Cabelos negros da noite
Feito a valente Anaí
Viveu as dor do desmundo
Mas deixou um tom profundo
De força pra o conduzir
Lembrava ele dos traços
Do rosto da mamãe sua
Da verdade que trazia
Em sua beleza crua
E do cansaço vigente
Que embebia o presente
Na lembrança que situa
Essa ancestralidade
Os dois traziam em si
Sendo Mabel sertaneja
Uma cabocla daqui
Em sua face trazia
Uma invisível etnia
De outra ramagem tupi
Enfim, contei deste encontro
Como tantos outros são
Entrelaçados a outros
Unindo cor e canção
Tendo a história na bagagem
Busco no verso ancoragem
Pro barco ter direção
Tenho admiração
Por trajetórias assim
Histórias vivas reais
Que chegaram até mim
Que em momento me encantaram
E por aqui se contaram
Virando verso no fim
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