Os almanaques, são parte importante da literatura de cordel. Populares nos nordestes do país, nas feiras, nos sertões; são parte de uma poética do campo; a relação com as chuvas, com as secas, solustícios, luas, eclipses... O plantil e o cuidado dos rebanhos...
Os almanaqueiros são profetas, poetas, religiosos místicos... Mistos ciganos, sem ser... Brincantes com o tempo, com a métrica dos versos, com a matemática orgânica do cotidiano ampliado
Manoel Luiz passou três anos cego, cego de guia,
mas não deixou de fazer seu almanaque
pedia ajuda da companheira Olívia,
"bamba" na pesquisa e na datilografia
Hoje Manoel não paga mais gráficas, faz seus escritos e recortes, suas contas, gráficos, versos diversos, e vai na xerox... Sai mais barato e na hora; com a letra dele, o risco dele, a cara dele
Da madrugada. Quando criança gastava toda a Querosene Jacaré que o pai comprava; cara, preciosidade. O combustível permitia o luxo das letras e dos números do fogo interior refletindo debaixo do céu