sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Argumentando salmos
terça-feira, 24 de julho de 2012
farinelli
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Medicinas.
É horrível o gosto que tenho agora nas entranhas, subindo e descendo e amargando a língua, remédio trágico, cor de rosa, argh! Nojo! Invenções cruéis da humanidade ocidental, alopatia de merda... cheguei e tinha um gato na porta da casa, preto e branco... o deixei entrar, pensei nos egípcios e o deixei entrar. É um gato meio jovem que vez em quando aparece, visinho; hoje apareceu com uma espécie de coleira, parece coisa que criança inventa, uma coleira não coleira... explorou a casa. já havia explorado antes. Inventei de ir cozinhar; um arroz com cenoura, sardinha com cenoura... o gato se espivitava em brincar com meus pés, esses bichos nos vão conquistando com sua lezeira doidinha, com ar de “como quem não quer nada”, seus olhares, ligados, bobos; olhos de jovem... fez barulho na sala, fui ver era o bichano saíndo, tranquei a janelinha, vim trancar a outra, a do quarto, na tentativa de entrar de novo acho que machuquei sua pata direita, aí ele não quis mais entrar depois disso e eu fiquei com um pouquinho de sentimento de culpa, me sentindo má, de uma espécie má, opressora, bruta... os brutos também sentem, eu sinto... e ainda sinto aquele gosto do péssimo remédio cor de rosa que tomei inda agora; seria melhor ter tomado o giamebil, mesmo vencido.
tartarugas
O sonho das Tartarugas.
hei sonhado com duas tartarugas, as encontrava em um prédio antigo, algum prédio público em reforma; os funcionários limpavam os salões grandes, as teias de aranha e as merdas dos morcego, sob vigas e calhas largas, telhado velho, lembrava a usina que conheço, meu lugar psíquico, o lugar que passei a infância. A tartaruginha se punha molenga quase perto do portão enorme aberto que deixava entrar um sol de manhã, uns molhados de água e sangue no piso rústico de pedra áspera. Era uma filha do esgoto, tinha vindo por ele, pensei que deviam haver mais delas por ali e outra maiorzinha apareceu. Perguntei aos guardas onde por ali havia um lagoque eu as pudesse devolver, e sob a manhã levei as quelônias cada qual em um braço com ternura e energia de cura nas mãos. Encontramos em uma praça, um pequeno espaço com água, uma água escura, meio acobreada e com verde lôdo de outras filhas do esgoto. Imaginei que porali tinha algum ralo que as permitia o trãnsito às encanações; fiquei com pena de abandonar as bichinhas naquela falta de estrutura e de cuidado de um lago da vida ubana. A tartaruga maior nem ligou, uniu-se logo às demais impondo espaço no espremido que era aquele lugar, pouca água e turva, meio enferrujada. A tartaruga menor estava fraca e eu temia por sua morte, me sentia sua mãe neste momento; a segurava com carinho, a pus perto de umas plantinhas poucas de folhas esteitas e serradas, ela abriu e fechou os olhos se animando a comer, fiquei feliz e me fiz de garçonette a por na boquinha dela as folhinas que ia tirando dos galhos. Quase ela se engasga no alvoroço, temi, puxei da boca o pedacinho, ela comia e ai ficando vivaz. Em algum momento da imagem a tartaruguinha me lambia a perna.
Julho, 2010.
No Egito
No egito quando a chuva vem luzir, uma abóboda se abre para receber. O Saara tremula solando, se ara, ceará. No Egito, quando é tempo, uma palmeira soluça soluções às famílias ciganas; bons caminhos! Sentidos, centauros e direções. Alah resvala música e astros, olhos d'água marejam estradas; semblante considerando o nada. A boca da criação sorve, se salva e mata; corpo copo que re-hidrata, desidratação que vinha rumando, no deserto ondulando, no lombo do bicho, no tombo da pisada, dos joelhos, no tombar... Criança cristo nascida de espírito, de vento santo, embalada a salmo; de lábio seco silêncio encontra, água, anima...
Advindos da Índia, esses indus adivinhos, ferreiros, vacas; são da consagração sinfônica; giradouros meninas, violas gasguitas. Velhas certeiras palmas; quiromancia, leitura de alma. Nas faces, lacta considerada. Lá vem! Menino moreno que canta; parece um bodinho marrom. Menino antigo, sabido e bom. A outra, a menina, gira até achar o fio; persas à portas abertas, de estio.. E a paisagem os abraça e abençoa. Corcova e coroa.
Alva paisagem areal, deserto...
E outro deserto.
Com o tempo a cidade prende o tempo sem sentir; a paisagem muda, medra ouvir. Surda aos cantos, surda aos gritos, às famílias mudas, e circos. Às praças não podem mais; policiais animais da coerção.
As casas abandonadas são fechadas, e nas fachadas frias, proibidas cantorias. Pr’onde esse canto vai? Desterro, desmundo, desnudo pranto.
Tudo um cinza de chumbo e as palmas feito chuva. Nuvem que estrala na cidade do peito, efeito afeito no lugar da dor. Afim de sobreviver, que se faz? se submete e busca, paz dentro. Ser expulso de lugar, avulso o não-lugar. Magoado, é virar touro de tormento. E é o touro da goela que expande essa gente de cavalo, que relincha a crina amarrada e dá coices, treme à raiva e dolor... Sangra dançando o chão que voa. liberdade buscando, cor.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
coisas da kelly saura
A cidade de Inhuma, no interior do Estado,(ou "à 240 km da capital") foi o local escolhido para a intervenção urbana da artista Kelly Lima.
Intervenção Urbana é um tipo de manifestação artística, geralmente realizada em áreas centrais de grandes cidades. Consiste em uma interação com um objeto artístico previamente existente (um monumento, por exemplo) ou com um espaço público, visando colocar em questão as percepções acerca do objeto artístico. A intervenção artística tem ligações com a arte conceitual e geralmente inclui uma performance. (FONTE: wikipédia, a enciclopédia livre)
A ação ocorreu entre os dias 15 e 16 de agosto. Uma enorme pedra, encrustrada entre casas e ruas no meio da cidade, foi o suporte escolhido para a reprodução de pinturas rupestres encontradas nos sitios arqueológicos do Piauí. O ato chamou a atenção dos moradores que curiosos, vinham olhar, comentar e discutir sobre as pinturas, arqueologia, e arte.
As crianças logo se juntaram ao trabalho, e os pincéis, tintas e "tela" foram socializados. Algumas escolheram fazer as reproduções das gravuras; as menores, figuras abstratas e outras resolveram deixar para a posteridade o registro dos tempos de hoje, pintando figuras que remetem à modernidade, como automóveis e torres.
O trabalho, intitulado Pinturas Rupestres do Ano de 2009, faz parte de um projeto de pesquisa da artista, que iniciou no ano de 2007, numa viagem feita à Serra da Capivara.
"Em 2008 fiquei doente, com uns problemas nos ossos, que me deixou paralizada por um tempo. Nesse período começei a pensar sobre o Sentir e se Auto-conhecer através dos ossos, e o artista como arqueólogo. O arqueólogo traz a imagem à tona, é um revelador, escava, arranha, procura. O artista também. A minha formação é em design gráfico, e eu tinha uma afinidade muito grande com o graffiti e as expressões gráficas urbanas. A manifestação mais antiga de representação gráfica da história da humanidade são aquelas pinturas feitas nas paredes das cavernas. As pinturas rupestres são os primeiros exemplos de graffiti da história da arte. Mesmo com milhares de anos espaçados no tempo, o que mudou foi apenas o contexto, o ato continua sendo o mesmo. Todas essas descobertas e relações que vou tecendo, a partir de uma curiosidade a principio despretenciosa, tem se mostrado um trabalho visceral, estimulante e revelador para mim. Poder tocar as pessoas, principalmente os moradores de uma região como aquela, que nao tem muito contato com o contexto e manifestações de artes contemprâneas, com essas questões, é muito satisfatório. Quanto mais íntimo você é, mais universal você se torna." - relata Kelly Lima. Filha de pais naturais de Inhuma, cresceu no Recife, mas diz que descobriu algo que a reconectou com o lugar, e que pretende voltar mais vezes e continuar o trabalho.
Para quem tiver a oportunidade de ir à cidade de Inhuma, o mural com as pinturas está localizado na Rua .............., próximo à rodoviária.
Para informações sobre a artista, acesse o kellylima-portfolio.blogspot.com , as fotos da intervenção estão no sítio www.flickr.com/photos/kelly_lima/ .
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
ciência da primavera I
fui muito mais cientista que pensei
quando fui gay e fiz teatro
mais sapatão de pés de pato
nadei demais nas horas vagas
em que dormi semhoras e sem mangas
nessa nudez frutífera e muda
pude viver virgos da vulva
alem chovia à flor vermelha
a primavera puro humor
rugia a fera apurada
a puro toque de quem for
dentro de mim, fera danada
lelo
de fazer suco
cheia de muco e choro
de fazer canja
lua de franja
boneca polaca
saí de pés
e voltei de maca
Vó Socorro
quinta-feira, 17 de junho de 2010
virgo
Deuzinha perto da foz, à água empoçada das ramas de capim, o chuvisco na pegada dela, no sulco da terra adubada; ruminava, canção azul de labor, e pensando em nada trabalhava a estranheza das coisas vivas que cresciam agora por dentro, o temporal silencioso dos olhos redondos chovia no molhado.
...
quarta-feira, 14 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
àgente

ALEGRIA DE VIVER


