segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MORENA



- Preá assado ou cozinhado?
(isso é a cara do meu povo)
- Assado! (seco e de novo)
- Eu fico com o cozido!...

- ...vem aqui que tou em apuros duros,
 cheia de alegria nostálgica de você...
é, tou voltaNDO A SOLTAR OS RAIOS NO HORIZONTE
mas a vida é real
de costume a gente idealiza
coisa engraçaaada...

pode trazer o preá em prestações
em banho maria da penha...

gosto dessa estética sem prtnção de mano

- semo que?

- Pretensão, quis dizer...

- sim, claro
sem perder as ambições referidas ao tema futuro
sem deixar também de fazer paralelos ambivalentes com a estética armorial
sim, claro... uma interpenetração quase da ciência obstetrícia
poeticamente falando, é claro...

- não mude de assunto... quero o preá da tua presença...

coisa mais bonita, em toda natureza...

(acabei de postar um agrado disso tudo)



- fiquei sem resposta ao seu nível de desenvoltura...



- sem modestia, minha cara... tua desenvoltura está acima do nível
do mar, por assim dizer

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Argumentando salmos

Conclusão. Condição diluída de gentil. Mata deflorada. Mistério mastigado. Parada solicitada.... Morrendo sem sentido, sem palavra certa, cercada a flor. Sopro inaudível nesse estado civil, convalescente, de anemia sem nome, falciforme. Aquietar caule da condição diz da verdade que há de vir acordar caminho calmo. Eu me movo no azul, no solar... Meu direito explodiu a barragem.

terça-feira, 24 de julho de 2012

farinelli

Cantores castrados da Itália. Rogo benção, orações celestinas. Belos cenário de pavão de oxumareh. Uma ampla paisagem de palmeira. Rogo vossa dor amor na compreensão do belo canto. Protege-me goela, caixa torácica, diafragma, os vazios cranianos, os olhos abertos... Obrigada pelos agudos, vibratos raros, variações, estacatos e desacatos. Prego, meu orih, libera. Deus queira e me de merecimento. Podem vir na gira, no sono, na mesa, altar... Finas. Égua humilde prepara teus pouso.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Medicinas.

É horrível o gosto que tenho agora nas entranhas, subindo e descendo e amargando a língua, remédio trágico, cor de rosa, argh! Nojo! Invenções cruéis da humanidade ocidental, alopatia de merda... cheguei e tinha um gato na porta da casa, preto e branco... o deixei entrar, pensei nos egípcios e o deixei entrar. É um gato meio jovem que vez em quando aparece, visinho; hoje apareceu com uma espécie de coleira, parece coisa que criança inventa, uma coleira não coleira... explorou a casa. já havia explorado antes. Inventei de ir cozinhar; um arroz com cenoura, sardinha com cenoura... o gato se espivitava em brincar com meus pés, esses bichos nos vão conquistando com sua lezeira doidinha, com ar de “como quem não quer nada”, seus olhares, ligados, bobos; olhos de jovem... fez barulho na sala, fui ver era o bichano saíndo, tranquei a janelinha, vim trancar a outra, a do quarto, na tentativa de entrar de novo acho que machuquei sua pata direita, aí ele não quis mais entrar depois disso e eu fiquei com um pouquinho de sentimento de culpa, me sentindo má, de uma espécie má, opressora, bruta... os brutos também sentem, eu sinto... e ainda sinto aquele gosto do péssimo remédio cor de rosa que tomei inda agora; seria melhor ter tomado o giamebil, mesmo vencido.

tartarugas

O sonho das Tartarugas.

hei sonhado com duas tartarugas, as encontrava em um prédio antigo, algum prédio público em reforma; os funcionários limpavam os salões grandes, as teias de aranha e as merdas dos morcego, sob vigas e calhas largas, telhado velho, lembrava a usina que conheço, meu lugar psíquico, o lugar que passei a infância. A tartaruginha se punha molenga quase perto do portão enorme aberto que deixava entrar um sol de manhã, uns molhados de água e sangue no piso rústico de pedra áspera. Era uma filha do esgoto, tinha vindo por ele, pensei que deviam haver mais delas por ali e outra maiorzinha apareceu. Perguntei aos guardas onde por ali havia um lagoque eu as pudesse devolver, e sob a manhã levei as quelônias cada qual em um braço com ternura e energia de cura nas mãos. Encontramos em uma praça, um pequeno espaço com água, uma água escura, meio acobreada e com verde lôdo de outras filhas do esgoto. Imaginei que porali tinha algum ralo que as permitia o trãnsito às encanações; fiquei com pena de abandonar as bichinhas naquela falta de estrutura e de cuidado de um lago da vida ubana. A tartaruga maior nem ligou, uniu-se logo às demais impondo espaço no espremido que era aquele lugar, pouca água e turva, meio enferrujada. A tartaruga menor estava fraca e eu temia por sua morte, me sentia sua mãe neste momento; a segurava com carinho, a pus perto de umas plantinhas poucas de folhas esteitas e serradas, ela abriu e fechou os olhos se animando a comer, fiquei feliz e me fiz de garçonette a por na boquinha dela as folhinas que ia tirando dos galhos. Quase ela se engasga no alvoroço, temi, puxei da boca o pedacinho, ela comia e ai ficando vivaz. Em algum momento da imagem a tartaruguinha me lambia a perna.

Julho, 2010.

No Egito

No egito quando a chuva vem luzir, uma abóboda se abre para receber. O Saara tremula solando, se ara, ceará. No Egito, quando é tempo, uma palmeira soluça soluções às famílias ciganas; bons caminhos! Sentidos, centauros e direções. Alah resvala música e astros, olhos d'água marejam estradas; semblante considerando o nada. A boca da criação sorve, se salva e mata; corpo copo que re-hidrata, desidratação que vinha rumando, no deserto ondulando, no lombo do bicho, no tombo da pisada, dos joelhos, no tombar... Criança cristo nascida de espírito, de vento santo, embalada a salmo; de lábio seco silêncio encontra, água, anima...

Advindos da Índia, esses indus adivinhos, ferreiros, vacas; são da consagração sinfônica; giradouros meninas, violas gasguitas. Velhas certeiras palmas; quiromancia, leitura de alma. Nas faces, lacta considerada. Lá vem! Menino moreno que canta; parece um bodinho marrom. Menino antigo, sabido e bom. A outra, a menina, gira até achar o fio; persas à portas abertas, de estio.. E a paisagem os abraça e abençoa. Corcova e coroa.

Alva paisagem areal, deserto...

E outro deserto.

Com o tempo a cidade prende o tempo sem sentir; a paisagem muda, medra ouvir. Surda aos cantos, surda aos gritos, às famílias mudas, e circos. Às praças não podem mais; policiais animais da coerção.

As casas abandonadas são fechadas, e nas fachadas frias, proibidas cantorias. Pr’onde esse canto vai? Desterro, desmundo, desnudo pranto.

Tudo um cinza de chumbo e as palmas feito chuva. Nuvem que estrala na cidade do peito, efeito afeito no lugar da dor. Afim de sobreviver, que se faz? se submete e busca, paz dentro. Ser expulso de lugar, avulso o não-lugar. Magoado, é virar touro de tormento. E é o touro da goela que expande essa gente de cavalo, que relincha a crina amarrada e dá coices, treme à raiva e dolor... Sangra dançando o chão que voa. liberdade buscando, cor.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

coisas da kelly saura




A cidade de Inhuma, no interior do Estado,(ou "à 240 km da capital") foi o local escolhido para a intervenção urbana da artista Kelly Lima.
Intervenção Urbana é um tipo de manifestação artística, geralmente realizada em áreas centrais de grandes cidades. Consiste em uma interação com um objeto artístico previamente existente (um monumento, por exemplo) ou com um espaço público, visando colocar em questão as percepções acerca do objeto artístico. A intervenção artística tem ligações com a arte conceitual e geralmente inclui uma performance. (FONTE: wikipédia, a enciclopédia livre)
A ação ocorreu entre os dias 15 e 16 de agosto. Uma enorme pedra, encrustrada entre casas e ruas no meio da cidade, foi o suporte escolhido para a reprodução de pinturas rupestres encontradas nos sitios arqueológicos do Piauí. O ato chamou a atenção dos moradores que curiosos, vinham olhar, comentar e discutir sobre as pinturas, arqueologia, e arte.
As crianças logo se juntaram ao trabalho, e os pincéis, tintas e "tela" foram socializados. Algumas escolheram fazer as reproduções das gravuras; as menores, figuras abstratas e outras resolveram deixar para a posteridade o registro dos tempos de hoje, pintando figuras que remetem à modernidade, como automóveis e torres.
O trabalho, intitulado Pinturas Rupestres do Ano de 2009, faz parte de um projeto de pesquisa da artista, que iniciou no ano de 2007, numa viagem feita à Serra da Capivara.
"Em 2008 fiquei doente, com uns problemas nos ossos, que me deixou paralizada por um tempo. Nesse período começei a pensar sobre o Sentir e se Auto-conhecer através dos ossos, e o artista como arqueólogo. O arqueólogo traz a imagem à tona, é um revelador, escava, arranha, procura. O artista também. A minha formação é em design gráfico, e eu tinha uma afinidade muito grande com o graffiti e as expressões gráficas urbanas. A manifestação mais antiga de representação gráfica da história da humanidade são aquelas pinturas feitas nas paredes das cavernas. As pinturas rupestres são os primeiros exemplos de graffiti da história da arte. Mesmo com milhares de anos espaçados no tempo, o que mudou foi apenas o contexto, o ato continua sendo o mesmo. Todas essas descobertas e relações que vou tecendo, a partir de uma curiosidade a principio despretenciosa, tem se mostrado um trabalho visceral, estimulante e revelador para mim. Poder tocar as pessoas, principalmente os moradores de uma região como aquela, que nao tem muito contato com o contexto e manifestações de artes contemprâneas, com essas questões, é muito satisfatório. Quanto mais íntimo você é, mais universal você se torna." - relata Kelly Lima. Filha de pais naturais de Inhuma, cresceu no Recife, mas diz que descobriu algo que a reconectou com o lugar, e que pretende voltar mais vezes e continuar o trabalho.
Para quem tiver a oportunidade de ir à cidade de Inhuma, o mural com as pinturas está localizado na Rua .............., próximo à rodoviária.

Para informações sobre a artista, acesse o kellylima-portfolio.blogspot.com , as fotos da intervenção estão no sítio www.flickr.com/photos/kelly_lima/ .

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ciência da primavera I

foi bom brincar de estudante de ciências
fui muito mais cientista que pensei

quando fui gay e fiz teatro
mais sapatão de pés de pato

nadei demais nas horas vagas
em que dormi semhoras e sem mangas

nessa nudez frutífera e muda
pude viver virgos da vulva

alem chovia à flor vermelha
a primavera puro humor

rugia a fera apurada
a puro toque de quem for

dentro de mim, fera danada



cdu, cfch
martha rocha

lelo

lua laranja
de fazer suco

cheia de muco e choro
de fazer canja

lua de franja
boneca polaca

saí de pés
e voltei de maca

cdu, primavera de 2010

Vó Socorro

Nahinã é meu afilhado, filho de Sofia e Bruno. Esses dias a avó paterna inventou de dar a ele alimentos que na dieta nuclear não comeria. Ele aprende rápido as palavras que dizem do que ele gosta. Quando viu a avó foi logo dizendo na frente dos pai: "Socorro... coca, socorro". "Ossinho, Socorro! Ossinho..."

sábado, 3 de julho de 2010

nasci um cabrito de memória afetiva e abri o berreiro

quinta-feira, 17 de junho de 2010

virgo

Nublava muito; a tarde e deusinha, ela dos olhos negros e redondos, mastigava o líquido e bebia o sólido numa macrobiose verdadeira e xiita; se entendiam os sumos e por dentro as contrações da espera remexiam em danças aquáticas. Observava os sapos lunares e dava leseira o coaxar e o desespero elétrico da cigarra. Quase tudo dava uma brisa naquela altura do campeonato. Era o sono e a vontade de urinar, naquele tempo úmido cor de peixe-boi. Humores, sumos, alimentos, deusinha do olhar languido; preenchidas as entranhas. Compreendera de algum modo que tudo havia mudado depois de que de repente lhe surgira no corpo algum jeito termal mais acentuado que lhe dava ganas de se coçar nas cascas grossas dos pés-de-pau, de ver nos espelhos fluidos sua própria tremulação cintilante, de se deixar montar.

Deuzinha perto da foz, à água empoçada das ramas de capim, o chuvisco na pegada dela, no sulco da terra adubada; ruminava, canção azul de labor, e pensando em nada trabalhava a estranheza das coisas vivas que cresciam agora por dentro, o temporal silencioso dos olhos redondos chovia no molhado.

...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

quinta-feira, 25 de março de 2010

àgente



ALEGRIA DE VIVER

Os dias passam, e os anos
Passam também como os dias
Pela vida os desengano
Vão matando as alegrias 

Mas se a existência decorre
Tendo sempre o bem por guia
Cada alegria que morre
Faz nascer outra alegria

Carlos Estevão de Oliveira

*esse texto belinho foi escrito pelo meu avô adotivo que não conheci. tenho amado ler esse avô, tem ele me sido esperança; os presentes que nos/me deixou são feito caixas de pandora, um cinema de fogueira de poeira, eles são cheios de "espírito da coisa dada", grandes afetos d'ouro; são besouros.

sexta-feira, 5 de março de 2010

no aniversário

o palhaço diabolin, que bamba na corda e solta fogo pelas ventas, se pinta de pasta de dente e baton-acorde-rosa-choque, tem filhinhas magrinha negrinhas pequenas e danadas, já artistas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

do dia que nasceu Rocco, filho de leandro e nina

no dia que Rocco nasceu fez sol, mas no céu havia umas nuvens meio densas até, talvez pra indicar a água que trazia a criança de peixes, peixes com ascendente em peixes, será mesmo? e inda muito aquário e carangueijo. eu nesse dia tinha madrugado como de comum dia, no entanto reluzia, e tudo era mais bonito no caminho pro trabalho no museu do estado desse estado. percebi quão floridas eram as árvores de minha rua. e naquele colorido trêmulo, senti as brisinhas que se deliciavam nos amarelos e vermelhos, nos roxos e lilases, nos verdes em suas gradações. pude perceber quão simpática e forte era a grande planta das bajes, uma percussão simples, um chocalhar tranquilo, uma leveza dessa força pelas 7 e pouca do dia amanhecido. falei com o porteiro e pedi "uma casa pra água 55"... hehe... eu havia trocado as palavras :) "uma água"... ele entendeu sorrindo e num sim com a cabeça. eu segui. e vinha maria (locatária da casa que eu moro) caminhando pela avenida; por graça já zarpava o onibus q bem chegava, mas numa corridinha alcancei o bendito transporte. percebi a loja de bicicletas na avenida, o homossexual, a minha postura, etc. do lado esquerdo passou sentido o caminhão das galinhas de granja, pude sentir... já caxangá; o menino com a mãe, na cadeira alta do coletivo ao lado, bebia de um leite fermentado que ensaiou jogar o recipiente no asfalto do lugar que se movia, ele vestia uma camisa cor de cenouragerimum q já devia ter sido de um irmão ou primo de desbotada a cor que estava.