quarta-feira, 14 de novembro de 2012
duas histórias em uma
sábado, 10 de novembro de 2012
ciganos
Sapo cítrico
-Absurdo. Tava bom?
-Bom como o desprezo. Como boca costurada com um nome dentro. Entre o desejo e o paladar.
( 9. 11. 12 - shopping plaza, em torpedos de cientista com Hugo Coutinho)
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
manoel luiz
Os almanaques, são parte importante da literatura de cordel. Populares nos nordestes do país, nas feiras, nos sertões; são parte de uma poética do campo; a relação com as chuvas, com as secas, solustícios, luas, eclipses... O plantil e o cuidado dos rebanhos...
Os almanaqueiros são profetas, poetas, religiosos místicos... Mistos ciganos, sem ser... Brincantes com o tempo, com a métrica dos versos, com a matemática orgânica do cotidiano ampliado
Manoel Luiz passou três anos cego, cego de guia,
mas não deixou de fazer seu almanaque
pedia ajuda da companheira Olívia,
"bamba" na pesquisa e na datilografia
Hoje Manoel não paga mais gráficas, faz seus escritos e recortes, suas contas, gráficos, versos diversos, e vai na xerox... Sai mais barato e na hora; com a letra dele, o risco dele, a cara dele
Da madrugada. Quando criança gastava toda a Querosene Jacaré que o pai comprava; cara, preciosidade. O combustível permitia o luxo das letras e dos números do fogo interior refletindo debaixo do céu
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
el mocho
de las noches, de las lunas.
conoce las muertes e los abismos.
conoce los vientos e los costumbres sacerdotales.
y canta su cisma con el tiempo que cambia.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Poema pra Renato
da embarcação de palha
negro, receptivo
chocolate amargo
nos olhos de deus
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
MORENA
- ...vem aqui que tou em apuros duros,
gosto dessa estética sem prtnção de mano
- semo que?
- Pretensão, quis dizer...
- sim, claro
- não mude de assunto... quero o preá da tua presença...
(acabei de postar um agrado disso tudo)
- fiquei sem resposta ao seu nível de desenvoltura...
- sem modestia, minha cara... tua desenvoltura está acima do nível
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Argumentando salmos
terça-feira, 24 de julho de 2012
farinelli
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Medicinas.
É horrível o gosto que tenho agora nas entranhas, subindo e descendo e amargando a língua, remédio trágico, cor de rosa, argh! Nojo! Invenções cruéis da humanidade ocidental, alopatia de merda... cheguei e tinha um gato na porta da casa, preto e branco... o deixei entrar, pensei nos egípcios e o deixei entrar. É um gato meio jovem que vez em quando aparece, visinho; hoje apareceu com uma espécie de coleira, parece coisa que criança inventa, uma coleira não coleira... explorou a casa. já havia explorado antes. Inventei de ir cozinhar; um arroz com cenoura, sardinha com cenoura... o gato se espivitava em brincar com meus pés, esses bichos nos vão conquistando com sua lezeira doidinha, com ar de “como quem não quer nada”, seus olhares, ligados, bobos; olhos de jovem... fez barulho na sala, fui ver era o bichano saíndo, tranquei a janelinha, vim trancar a outra, a do quarto, na tentativa de entrar de novo acho que machuquei sua pata direita, aí ele não quis mais entrar depois disso e eu fiquei com um pouquinho de sentimento de culpa, me sentindo má, de uma espécie má, opressora, bruta... os brutos também sentem, eu sinto... e ainda sinto aquele gosto do péssimo remédio cor de rosa que tomei inda agora; seria melhor ter tomado o giamebil, mesmo vencido.
tartarugas
O sonho das Tartarugas.
hei sonhado com duas tartarugas, as encontrava em um prédio antigo, algum prédio público em reforma; os funcionários limpavam os salões grandes, as teias de aranha e as merdas dos morcego, sob vigas e calhas largas, telhado velho, lembrava a usina que conheço, meu lugar psíquico, o lugar que passei a infância. A tartaruginha se punha molenga quase perto do portão enorme aberto que deixava entrar um sol de manhã, uns molhados de água e sangue no piso rústico de pedra áspera. Era uma filha do esgoto, tinha vindo por ele, pensei que deviam haver mais delas por ali e outra maiorzinha apareceu. Perguntei aos guardas onde por ali havia um lagoque eu as pudesse devolver, e sob a manhã levei as quelônias cada qual em um braço com ternura e energia de cura nas mãos. Encontramos em uma praça, um pequeno espaço com água, uma água escura, meio acobreada e com verde lôdo de outras filhas do esgoto. Imaginei que porali tinha algum ralo que as permitia o trãnsito às encanações; fiquei com pena de abandonar as bichinhas naquela falta de estrutura e de cuidado de um lago da vida ubana. A tartaruga maior nem ligou, uniu-se logo às demais impondo espaço no espremido que era aquele lugar, pouca água e turva, meio enferrujada. A tartaruga menor estava fraca e eu temia por sua morte, me sentia sua mãe neste momento; a segurava com carinho, a pus perto de umas plantinhas poucas de folhas esteitas e serradas, ela abriu e fechou os olhos se animando a comer, fiquei feliz e me fiz de garçonette a por na boquinha dela as folhinas que ia tirando dos galhos. Quase ela se engasga no alvoroço, temi, puxei da boca o pedacinho, ela comia e ai ficando vivaz. Em algum momento da imagem a tartaruguinha me lambia a perna.
Julho, 2010.